Fernanda Montenegro é a homenageada do Prêmio Extra de TV 2014

28/09/2014 06:55

Fernanda Montenegro revive personagem Naná, de ‘Cambalacho’, e é a homenageada do Prêmio Extra de TV 2014

 



Os grandes olhos de Fernanda Montenegro, tão lembrados desde o início da carreira, iluminam sem sobressaltos a mudança de idade. No próximo dia 16, ela faz 85 anos, motivo de uma merecida homenagem no Prêmio Extra de Televisão 2014. O passado se preserva no que a memória ama — está na voz e no corpo —, e ganha cor ao confirmar, dia após dia, sua vocação. Uma vida foi criada assim. Mulher do povo, mãe de filhos, Fernanda é atriz e recusa qualquer menção a aposentadoria.
 

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— Estou aqui. Até onde eu possa ver, inteira. É verdade que as articulações às vezes doem. Mas tomo aspirina e passa. Não me vejo parando. Nunca me vi — confirma a veterana, que se emociona com a homenagem que começa aqui com o “Viva a TV!”: — É uma felicidade saber do interesse de vocês por minha história.


Ela mesma lembra o duplo papel que lhe coube. Nascida Arlette, inventou ser Fernanda. A primeira existe somente quando fecha a porta de casa. Entre as duas, outras vieram — mulheres sofridas, graciosas e cruéis, mulheres da vida —, e sobreviveram no imaginário popular. Escrita por Sílvio de Abreu, a Naná de “Cambalacho” é uma delas. Sempre ao lado de Gegê (Gianfrancesco Guarnieri), a trambiqueira divertiu o público, em 1986, com pequenos golpes para se dar bem.
 

Os quase 30 anos que as separam tornam saboroso o exercício de recriá-la para o “Viva a TV!”. Apoiada na cadeira, diante do fotógrafo, Fernanda solta um riso de leve. Impossível não sorrir junto. Naturalmente, ela lembra do companheiro de cena, morto em 2006, e, adiante, comenta a sina de ser sempre outra.

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— Viver é perigoso, imagina tentar viver vidas que não a sua. Cada vidinha que você tenta viver e que não é a sua, é mais um perigo que você acrescenta a seu próprio perigo de vida — sintetiza ela, a primeira atriz brasileira a ganhar o Emmy internacional, pelo especial “Doce de mãe” (2012).

 

O desbravamento da alma humana, com suas sutilezas e excessos, começou no rádio e foi lapidado no teatro. Ativa, Fernanda avançou fronteiras e se rendeu à TV. O aparelho era ainda uma novidade no início da década de 50, quando foi a primeira atriz contratada da TV Tupi.

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Embora olhe com surpresa para o que viveu, Fernanda não se atém às escolhas feitas no caminho. Por que foi por um lado e não por outro? “Estou indo”, despista. O espanto é de quem se debruça em sua história.

— O que mais me surpreende na minha mãe é ela ter feito teste para locutora. Era como ir à lua, sabe? Era filha de um artesão da madeira. Um cara incrível, mas operário. Não entendo o que deu na cabeça dela e a fez virar o que virou. É curto-circuito. Conversei muito sobre isso. Ela ter inventado esse nome... Sei que era magra para a época, olhuda, totalmente fora do mundo do teatro. Como fez isso? É um mistério para mim — indaga Fernanda Torres, sua filha.

 

 

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